Verdade seja dita: reservar alguns minutos por dia e escrever no papel é um verdadeiro respiro para a mente. Atitudes simples, como anotar as compras do mês no caderno, faz você enxergar tudo mais claro, de um jeito diferente.
Além disso, escrever protege o cérebro de muitos esquecimentos, sabia? Realmente, é um hábito que nós não devemos abandonar. Ainda que anotar nos smartphones esteja cada vez mais popular, aqui não estamos falando que precisa ser escritor, nem ter talento para escrever, o estilo não importa.
Aqui o objetivo principal é, simplesmente, o compromisso que você assume consigo mesmo. Inclusive, se além disso, o hábito da escrita diária trouxer uma mentalidade positiva, os benefícios podem sim se multiplicar.
A ciência vem estudando há anos, e realmente já existem pesquisas que afirmam sobre os benefícios da escrita:
- Regulam as emoções;
- Processam experiências difíceis e complicadas;
- Mantém um diálogo interno saudável;
- Ajuda bastante a controlar os níveis de estresse e ansiedade.
Além disso, escrevendo no papel você também acaba ativando algumas áreas específicas do cérebro que propiciam uma maior plasticidade neural (quando ele modifica sua estrutura em resposta aos estímulos).
Com isso, fortalece conexões neuronais e constrói a "reserva cognitiva". Dessa forma, o seu cérebro compensa os danos ou o desgaste natural, que acontece com a idade.
Escrever à mão dá aquela turbinada no cérebro, e também está ligada à longevidade e a prevenção de doenças degenerativas, como o Alzheimer, retratado na novela "Dona de Mim" da Globo, com a personagem de Rosa (Suely Franco).
O cirurgião Mario Alonso Puig explica esse fator quando fala sobre um estudo muito específico sobre o assunto: "Há um neurologista em Nova York que estuda a doença de Alzheimer, e há uma congregação de freiras em Nova York que viveram vidas muito longas.", disse.
Ele complementou: "O neurologista decidiu estudá-las e observou dois elementos que, em sua experiência, reduziam a probabilidade de desenvolver Alzheimer: primeiro, que essas freiras escreviam em um diário todos os dias e, segundo, o que elas escreviam tinha uma intenção positiva", falou o especialista.
Para ele, "colocar a vida em palavras tem um efeito muito benéfico", ressaltou.
Este estudo, também conhecido como Nun Study, começou em 1986 por David A. Snowdon, e tinha o objetivo de entender os fatores que influenciam o envelhecimento saudável e o surgimento do Alzheimer, e ele ainda continua por décadas.
Essas freiras "criaram um documento no qual todas as que faleceram, doavam seus cérebros a este neurologista para estudos", disse o médico.
No total, 678 freiras da congregação Irmãs Escolares de Notre Dame (School Sisters of Notre Dame), nos Estados Unidos, concordaram com a coleta dos dados, ano após ano, como também a análise de seus cérebros após a morte.
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Para o Dr. Puig, "mesmo que o dia tivesse sido difícil ou tivessem passado frio... se escrevessem 'hoje consegui me conectar melhor com o Senhor', ou 'com outra irmã', por exemplo, isso tinha um impacto importante", explicou.
Ele afirma que "hoje sabemos que, quando alguém escreve e verbaliza em palavras, tem um efeito calmante sobre as emoções". Dessa forma, "quando alguém escreve o que sente, isso tem um efeito positivo muito marcante", ressalta o médico.
Sobre as conclusões deste estudo, foram que as freiras com maior habilidade linguística tendiam a viver mais, mantendo suas capacidades cognitivas no envelhecimento.
Aquelas com maior densidade de ideias nos seus escritos mais antigos tinham menos probabilidades de desenvolver Alzheimer, anos depois. Em contrapartida, 80% dessas freiras com baixa densidade desenvolveram Alzheimer, se compararmos com apenas cerca de 10% daquelas com alta densidade.
"Quando escrevo, isso me ajuda a ter uma nova perspectiva nos momentos difíceis e a ser mais consciente dos momentos de gratidão que a vida me dá", finaliza o Dr. Puig.
Como detentora da escrita à mão, sempre procuro colocar em prática um pouco, todos os dias. Assim, podemos concluir que escrever todos os dias vai ajudar tanto a organizar a sua mente, como também é uma forma de cuidar do cérebro.
Isso cria conexões, fortalece a memória, além de criar uma espécie de "reserva cognitiva", o que faz total diferença quando envelhecermos.